{"id":121,"date":"2015-09-24T01:23:54","date_gmt":"2015-09-24T04:23:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/?p=121"},"modified":"2015-09-24T01:29:37","modified_gmt":"2015-09-24T04:29:37","slug":"insetos-luminarias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/2015\/09\/24\/insetos-luminarias\/","title":{"rendered":"Insetos &#038; Lumin\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p>Uma da madrugada, sentou em frente ao notebook, fez login no blog e pensou que o sil\u00eancio da noite seria um bom companheiro de escrita. Ao fundo, dois c\u00e3es latiam, um ou outro carro ao longe deixavam o seu rastro sonoro e ali, dentro dele, aquele zumbido estranho que o acompanhava em certos momentos. Escreveu uma frase sobre o zumbido, mas a apagou em seguida, n\u00e3o faria sentido para os leitores, pois estes teriam que estar dentro de sua cabe\u00e7a para compreender aquele zumbido. O frescor da madrugada entrava por uma das janelas e junto com ele, um ou outro inseto. Lembrou-se que precisava de um inseticida, mas n\u00e3o anotou isso e sabemos que amanh\u00e3 cedo j\u00e1 ter\u00e1 esquecido dessa necessidade. Mil ideias rodopiavam dentro de sua cabe\u00e7a, mescladas ao zumbido e ao som de um caminh\u00e3o que desceu a avenida. Nesta altura, o sil\u00eancio da noite se mostrou um p\u00e9ssimo companheiro. Minimizou o navegador, abriu o reprodutor de m\u00eddias e selecionou aquela velha banda dos anos 80. Seu alter ego desistiu, at\u00e9 ent\u00e3o olhava quieto para mais uma tentativa de por nas linhas do blog as suas incertezas, seu medos, suas fragilidades. Aquela m\u00fasica do a-ha era um golpe de miseric\u00f3rdia em qualquer tentativa de lucidez. O zumbido continuava, mas o alter ego j\u00e1 se tinha posto a dormir. Embalado pela batida pop norueguesa, digitou e apagou a mesma frase pelo menos umas 10 vezes. Decidiu comer. A geladeira era uma vitrine de guloseimas, mas nada o apeteceu, sua fome era de outra coisa, era uma fome \u00e0s avessas, queria por para fora tudo o que o perturbava naqueles dias, perturba\u00e7\u00e3o que tinha nome e sobrenome. Digitou, hesitou, apagou. Maldito covarde, disse para si mesmo. Voltou \u00e0 geladeira, abriu uma lata de energ\u00e9tico e matou-a em um s\u00f3 gole. R\u00e1, agora sim, o alter ego despertou com tanta taurina inundando o sistema circulat\u00f3rio. Agora o bicho pega. Bichos, malditos bichos que entram pela janela, essas desgra\u00e7as n\u00e3o dormem? Foi at\u00e9 o quarto, pegou um post-it, escreveu INSETICIDA e colou o post-it na porta, pr\u00f3ximo a fechadura. O alter ego olhava de soslaio, sabia que aquilo era mais procrastina\u00e7\u00e3o que necessidade, mas ainda assim, sentindo a taurina fazer efeito, esperou por algo. De volta ao teclado, respirou fundo e releu tudo o que tinha escrito at\u00e9 agora. Maldito covarde, \u00e0 merda com sua covardia. Fechou o reprodutor de m\u00eddias, chega de a-ha. Chega. Basta. Cad\u00ea o zumbido? Cad\u00ea os c\u00e3es? Cad\u00ea os carros e insetos. Quando deu por si, estava imerso no sil\u00eancio da madrugada, o companheiro pretendido desde o in\u00edcio. Imerso naquele sil\u00eancio, deixou-se levar pela fluidez do momento. N\u00e3o percebeu que enquanto estava longe, seu alter ego p\u00f4s-se a digitar loucamente, vomitando toda aquela ang\u00fastia, todos os medos, raivas, desesperos. Digitou, digitou, digitou at\u00e9 a \u00faltima gota de taurina evaporar nas asas do p\u00e9gaso alucinado que voava ao redor da lumin\u00e1ria. Subitamente o zumbido, os c\u00e3es, os carros e os insetos voltaram com f\u00faria. Na tela do notebook, dezenas de linhas surgiram do nada, linhas que esbofeteavam sua cara violentamente, linhas que o fizeram chorar. Apagou-as todas, apagou a lumin\u00e1ria. Deslogou-se do blog, desligou-se do notebook. Deitou-se. Dormiu. Dormiu, mas antes pode ouvir seu alter ego dizer: covarde, maldito covarde!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma da madrugada, sentou em frente ao notebook, fez login no blog e pensou que o sil\u00eancio da noite seria um bom companheiro de escrita. Ao fundo, dois c\u00e3es latiam, um ou outro carro ao longe deixavam o seu rastro sonoro e ali, dentro dele, aquele zumbido estranho que o acompanhava em certos momentos. 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