{"id":130,"date":"2016-06-19T13:15:03","date_gmt":"2016-06-19T16:15:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/?p=130"},"modified":"2016-06-19T13:15:49","modified_gmt":"2016-06-19T16:15:49","slug":"130","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/2016\/06\/19\/130\/","title":{"rendered":"O som do sil\u00eancio&#8230;"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>\nAnd in the naked light I saw<br \/>\nTen thousand people, maybe more<br \/>\nPeople talking without speaking<br \/>\nPeople hearing without listening<\/p>\n<p><strong>The sound of silence<\/strong>, Simon &amp; Garfunkel\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Ol\u00e1 blog, meu velho amigo.<\/p>\n<p>Meu sil\u00eancio te constrange, eu sei. Ultimamente tem sido mais f\u00e1cil escrever nos murais sociais, expostos, postos de vigil\u00e2ncia, locais de f\u00e1cil acesso e f\u00e1cil digest\u00e3o. Locais onde o sil\u00eancio se implanta. Aquele sil\u00eancio t\u00e3o profundo que o seu som se perde. Hoje eu acordei com o som daquele sil\u00eancio ecoando na minha mente. Na verdade, blog, eu o tenho ouvido em muitas manh\u00e3s. Sobretudo nessas \u00faltimas manh\u00e3s frias de um quase inverno, at\u00edpico, que nos soterra nas cobertas e draga toda a vontade de explorar o mundo. Nessas manh\u00e3s, imerso em meus pensamentos, o som pulsa mais forte. Perturb\u00e1-lo requer mais do que estamos dispostos a dar&#8230; tenho ouvido muito essa antiga can\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a ouvi muitas e muitas vezes desde minha adolesc\u00eancia, mas poucas vezes parei para escut\u00e1-la. Talvez hoje, blog, eu tenha melhores ouvidos para escut\u00e1-la. Seria uma forma po\u00e9tica de me confortar, mas isso n\u00e3o passa de uma bela mentira. Hoje, blog, o que eu tenho \u00e9 um acumulo de imagens vistas nas ruelas de paralelep\u00edpedos que eu percorri. Imagens de uma vida que s\u00f3 coube a mim viver. Imagens e escurid\u00e3o. Essa can\u00e7\u00e3o, <em>The Sound of Silence<\/em>, fala de coisas que eu custei a entender. Coisas que eu frequentemente esque\u00e7o. Por isso, caro blog, me desculpe a aus\u00eancia, mas eu vim conversar com voc\u00ea novamente.<\/p>\n<p>H\u00e1 um emaranhado de coisas que brotam da mente. Um turbilh\u00e3o de pensamentos que jamais ser\u00e3o registrados. Ideias que jamais ganhar\u00e3o corpo. E, no fundo, a pergunta que se desdobra em minha mente \u00e9: e que import\u00e2ncia isso tem? Nenhuma? Pouca? N\u00e3o sei. Talvez seja tudo uma quest\u00e3o de escala. No meu microcosmo, h\u00e1 muito o que dizer, mas hoje \u00e9 um daqueles domingos em que eu acordo flutuando na imensid\u00e3o do espa\u00e7o sideral, onde a Terra \u00e9 nada mais que um p\u00e1lido ponto azul perdido entre tantos outros pontos de luz. Pontos que meu olhar insiste em ignorar, pois \u00e9 a escurid\u00e3o profunda do espa\u00e7o que me chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o. A mat\u00e9ria escura, os buracos negros. Nessa escala, nada do que eu tenho a dizer importa. Bilh\u00f5es de anos me separam de uma singularidade. Trilh\u00f5es de estrelas nascem e morrem sem que ningu\u00e9m soubesse, saiba, ou venha a saber delas. O espa\u00e7o \u00e9 silencioso. E imerso nele, as palavras silenciam.<\/p>\n<p>Assim como essas estrelas, a maioria de minhas ideias morrem dentro do meu microcosmo cerebral, sem que ningu\u00e9m as ou\u00e7a ou leia. E, sinceramente blog, isso pouco importa. Talvez o grande exerc\u00edcio da escrita seja o di\u00e1logo consigo mesmo. As pessoas, os outros, s\u00e3o apenas transeuntes numa avenida a qual todos transitam. Escritores de p\u00e1ginas que ningu\u00e9m compartilha. P\u00e1ginas que n\u00e3o se encontram nas listas telef\u00f4nicas nem nos resultados do Google. Talvez, meu velho e caro blog, a \u00fanica pessoa para a qual escrevemos \u00e9 para n\u00f3s mesmos. E isso me soa t\u00e3o rid\u00edculo agora, pois voc\u00ea, blog, com quem eu converso agora, nem \u00e9 uma pessoa. Talvez seja. Ol\u00e1, escurid\u00e3o. <\/p>\n<p>O cursor piscando, as m\u00e3os sobrepostas sustentando o queixo. A tecla delete pressionada mais vezes que o desejado. A escrita me desafia. Olho para a janela e vejo as folhas verdes do grande parque que me cerca. Parque no qual eu deveria estar agora, respirando o ar fresco. Parque que ri dos meus cinquenta metros quadrados de espa\u00e7o. Mas o parque tamb\u00e9m \u00e9 um microcosmo insignificante diante da imensid\u00e3o de um domingo como o que se forma dentro da minha mente. Alias, o parque \u00e9 o ref\u00fagio de fam\u00edlias corro\u00eddas pela polui\u00e7\u00e3o da cidade. Sorrisos falsos para fotos que ir\u00e3o passar a eternidade no cart\u00e3o de mem\u00f3ria. Falsos atletas que, como eu muitas vezes, diluem seus remorsos sedent\u00e1rios em duas voltas e p\u00e9s sujos de terra. Falsos casais que desfilam de m\u00e3os dadas enquanto cobi\u00e7am os corpos que fazem cooper. Corpos falso, alias. O parque tamb\u00e9m est\u00e1 cheio do som do sil\u00eancio&#8230; <\/p>\n<p>\u00c9, caro blog, foi bom te ver novamente.<br \/>\nAt\u00e9 um dia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>And in the naked light I saw Ten thousand people, maybe more People talking without speaking People hearing without listening The sound of silence, Simon &amp; Garfunkel Ol\u00e1 blog, meu velho amigo. Meu sil\u00eancio te constrange, eu sei. Ultimamente tem sido mais f\u00e1cil escrever nos murais sociais, expostos, postos de vigil\u00e2ncia, locais de f\u00e1cil acesso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,1],"tags":[83,85,84,82],"class_list":["post-130","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-confissoes","category-reflexoes","tag-escrita","tag-escuridao","tag-espaco-sideral","tag-som-do-silencio"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":135,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130\/revisions\/135"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}