{"id":140,"date":"2016-07-05T01:45:01","date_gmt":"2016-07-05T04:45:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/?p=140"},"modified":"2016-07-05T01:45:01","modified_gmt":"2016-07-05T04:45:01","slug":"dualidades-dualismos-duelos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/2016\/07\/05\/dualidades-dualismos-duelos\/","title":{"rendered":"dualidades, dualismos, duelos&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Fiat lux! E, separada das tervas, a luz se fez. Se fez? Fez-se a si mesma? Ou foi feita? Pouco importa, n\u00e3o era sobre isso que eu queria escrever&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 dias que a noite nos convida ao abandono da rotina, nos convida \u00e0 invers\u00e3o dos hor\u00e1rios e, ainda que tentemos negar, sucumbimos. H\u00e1 dias em que a noite \u00e9 nossa melhor amiga. H\u00e1 dias que n\u00e3o. Dias e noites, dualidades.<\/p>\n<p>Dualidades s\u00e3o a base do pensamento ocidental. N\u00e3o necessariamente opostas, como quer o manique\u00edsmo de alguns, n\u00e3o necessariamente complementares, como quer a filosofia de outros. Dualismos, duelos&#8230; disputas bin\u00e1rias entre lados, colados ou opostos, afinal, <em>extrema se tangunt<\/em>, <em>pero no mucho<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes minha mente divaga. E um riso interno se desponta, &#8220;\u00e0s vezes&#8221;? Divagar \u00e9 o caminhar distra\u00eddo da mente por si mesma, uma condi\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia, eu diria. Mas eu dizer algo e nada \u00e9 quase o mesmo, afinal, quem sou eu? Um z\u00e9 qualquer&#8230; mentira, para ser z\u00e9 teria, antes, de ser Jos\u00e9, o que n\u00e3o \u00e9 o caso. Devagar, seu Edgar. Ou d\u00eagar, como se diz na minha fam\u00edlia, ou em parte dela&#8230; d\u00ea-v\u00e1-gar&#8230; divagar, divagando&#8230; pobres almas que me l\u00eaem.<\/p>\n<p>Should I stay or should I go. The Clash. Quando a banda se chama &#8220;the clash&#8221;, pouco importa se vou ou se fico, o impacto \u00e9 certeiro. Ir\u00f4nico. Intencional. V\u00e1 saber. A grande vantagem da semi\u00f3tica \u00e9 ver o que se quiser ver. Me lembro de uma aula no mestrado. Nela o professor dizia que, uma vez terminado o texto, ele n\u00e3o nos pertence mais. Cada um l\u00ea o que quer ler. Na aula o professor citava algu\u00e9m cujo o nome me escapa, algu\u00e9m que ao ler uma resenha sobre um livro seu disse &#8220;eu n\u00e3o disse nada disso&#8221;. Desvios, afinal, n\u00e3o era disso que eu queria falar.<\/p>\n<p>Hell or High Water? Essa \u00e9 do KISS. Tocou justamente enquanto eu escrevia o par\u00e1grafo acima. Ironia? Intencional? V\u00e1 saber&#8230; segundo o or\u00e1culo, a express\u00e3o <em>hell or high water<\/em> pode ser traduzida <em>por chova ou fa\u00e7a sol<\/em>, <em>doesn&#8217;t matter<\/em>, como diria meu amigo Rafael. Dualismos reduzidos a um corol\u00e1rio. Duelamos cotidianamente. Entre isso ou aquilo. Entretanto, h\u00e1 quem diga que as coisas n\u00e3o s\u00e3o simples assim, preto no branco&#8230; existem os 50 tons de cinza. 50? S\u00f3 50? Ilus\u00f5es, os tons, sejam de cinza, sejam de lil\u00e1s, verde ou da sua cor preferida, s\u00e3o meras varia\u00e7\u00f5es de luminosidade&#8230; mais luz, mais claro, menos luz, mais escuro&#8230; o degrad\u00ea \u00e9 apenas um efeito da luz sobre a cor. Luz? N\u00e3o foi com isso que eu comecei o texto? Fa\u00e7a-se a luz&#8230; <\/p>\n<p>Se voc\u00ea me acompanha at\u00e9 aqui, j\u00e1 deveria ter deixado isso de lado e ir fazer algo \u00fatil de sua vida. Ah, dualidades&#8230; \u00datil, in\u00fatil. H\u00e1 quem ganhe a vida num fretado para outra cidade, h\u00e1 quem a perca nele. Eu j\u00e1 vivi essa vida. Dualidades, duas cidades, o trabalho \u00fatil, o sentimento in\u00fatil. Nessa \u00e9poca eu tinha um walkman e uma fita K7 do Bruce Springsteen. Todos os dias, \u00fateis, com a cabe\u00e7a colada no vidro sujo do \u00f4nibus, eu ouvia The River sem prestar muita aten\u00e7\u00e3o na letra. &#8220;<em>Now all them things that seemed so important \/ Well mister they vanished right into the air<\/em>&#8220;. Um dia decidi abandonar o rio. Tolo, nessa \u00e9poca eu ainda n\u00e3o conhecia Her\u00e1clito. O rio nunca \u00e9 o mesmo, mas \u00e9 sempre um rio.<\/p>\n<p>Rio. Rio de mim mesmo. Muitas vezes. Rir de si mesmo \u00e9 um santo rem\u00e9dio. H\u00e1 quem se leve muito a s\u00e9rio. E, por favor, n\u00e3o confunda fazer as coisas com seriedade com ser s\u00e9rio. H\u00e1 uma fundamental diferen\u00e7a. Rir de si mesmo \u00e9 um exerc\u00edcio de auto conhecimento, coisa socr\u00e1tica, mas ai eu teria de explicar S\u00f3crates, e, na moral, n\u00e3o estou afim. <\/p>\n<p>Fim.<\/p>\n<p>\ud83d\ude09<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fiat lux! E, separada das tervas, a luz se fez. Se fez? Fez-se a si mesma? 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