{"id":51,"date":"2015-03-22T13:34:37","date_gmt":"2015-03-22T16:34:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/?p=51"},"modified":"2015-03-23T00:42:28","modified_gmt":"2015-03-23T03:42:28","slug":"um-texto-para-voce-sorrir","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/2015\/03\/22\/um-texto-para-voce-sorrir\/","title":{"rendered":"Um texto para voc\u00ea sorrir."},"content":{"rendered":"<blockquote><p>And as you pulled to me whispered in my ear &#8220;don&#8217;t ever let it end&#8221; (Nickelback)<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o \u00e9 estranho ler isso aqui? Porque para mim ser\u00e1 estranho escrever algo para voc\u00ea sabendo que, virtualmente, o mundo inteiro poder\u00e1 ler. T\u00e1, eu sei, j\u00e1 posso ver sua carinha questionadora me fuzilando, o mundo inteiro \u00e9 exagero. Mas ainda assim, \u00e9 estranho saber que essas palavras n\u00e3o ser\u00e3o apenas suas.<\/p>\n<p>E voc\u00ea, que l\u00ea isso aqui, pode ficar meio perdido, com aquela sensa\u00e7\u00e3o de ter pego a conversa andando, mas n\u00e3o se preocupe, n\u00e3o \u00e9 para entender mesmo, apenas aprecie as palavras \ud83d\ude09<\/p>\n<p>Lembra quando eu te dei aquele livro de fotos do Ferrer com textos do Neruda? Eu n\u00e3o estava certo se voc\u00ea ia gostar do livro, ent\u00e3o resolvi escrever uma dedicat\u00f3ria na contracapa que ao menos valesse a pena guardar o livro. Sim, eu sei que voc\u00ea sabe disso, mas esse povo que nos l\u00ea n\u00e3o.<\/p>\n<p>Pessoas s\u00e3o poesia. E voc\u00ea \u00e9 a minha poesia. Sempre foi. Talvez algu\u00e9m ai esteja se perguntando, &#8220;pessoas s\u00e3o poesia?&#8221;, pois sim, s\u00e3o. Lemos poesia em busca de encantamento, de emo\u00e7\u00e3o, de subterf\u00fagios dessa realidade mon\u00f3tona que nos arrasta. Pessoas s\u00e3o poesia, mas precisam ser lidas como tal.<\/p>\n<p>O que eu vi em voc\u00ea? A pergunta inicial de todo relacionamento. Discutimos isso durante muitas madrugadas, iluminados apenas pela tela do celular. O que voc\u00ea viu em mim? Poesia&#8230; \u00c9 claro que eu te vi muita vezes, mas o que me fez me apaixonar por voc\u00ea n\u00e3o foi o que eu vi, foi o que eu li. Pessoas s\u00e3o poesia. Mas h\u00e1 que saber l\u00ea-las.<\/p>\n<p>N\u00e3o se l\u00ea poesia como quem l\u00ea o jornal durante o caf\u00e9 da manh\u00e3. Poesia se l\u00ea nas linhas, entrelinhas, palavras, letras, na cor do papel, no cheiro que a atmosfera traz, nos sons que circundam o espa\u00e7o e o tempo em que nossos olhos decifram \u00e0quilo que ali se mostra, a poesia. Qualquer um que j\u00e1 tenha mergulhado nos versos do Quintana e voltado \u00e0 tona sem ar sabe do que estou falando. Se n\u00e3o sabe, mergulhe.<\/p>\n<p>Mergulhar, certa vez eu fiz um curso de mergulho. Aulas te\u00f3ricas sobre os equipamentos, sobre os cuidados em mar aberto como, por exemplo, n\u00e3o fazer uma selfie com um tubar\u00e3o \u2014 sim, eu tamb\u00e9m pensei isso, quem em s\u00e3 consci\u00eancia iria fazer uma selfie com um tubar\u00e3o? Aulas pr\u00e1ticas na piscina, ambiente controlado, sem tubar\u00f5es e, quando voc\u00ea est\u00e1 pronto, vem o batismo. Mergulhar pra valer. Mas n\u00e3o era disso que eu queria falar&#8230; <\/p>\n<p>L\u00ea-se poesia de forma \u00fanica. Busca-se na poesia a sonoridade das palavras, seus sentidos ocultos. No que pensava Pessoa quando escreveu que &#8220;tudo vale a pena quando a alma n\u00e3o \u00e9 pequena&#8221;? O que pensa cada pessoa que l\u00ea Pessoa? Pessoas s\u00e3o poesia, h\u00e1 que saber l\u00ea-las.<\/p>\n<p>Eu lia voc\u00ea naquelas manh\u00e3s sonolentas. Lia seus contornos, seus trejeitos, seus bocejos, seus olhares, sua maneira \u00fanica de enrolar o cabelo e, minutos depois, ele desmoronar novamente no seu rosto. Lia a sua letra mi\u00fada. E entre tantas leituras, o que eu via? Beleza. Sim, beleza. E n\u00e3o adianta insistir, voc\u00ea \u00e9 linda.<\/p>\n<p>Lemos beleza nas pessoas. N\u00e3o esse tipo de beleza plastificada, inventada pelas novelas. Eu falo da beleza po\u00e9tica, aquela que transforma palavras soltas, que ordeiramente se enfileram nos dicion\u00e1rios, em sentimentos profundos. Falo da beleza que s\u00f3 se conjuga nos olhares de quem, para al\u00e9m da gram\u00e1tica, busca nas palavras, ou nas pessoas, mais do que elas aparentam.<\/p>\n<p>Suas m\u00e3os s\u00e3o poesia. E nelas h\u00e1 uma beleza oculta, que s\u00f3 pode ser lida quando nossos olhos buscam poesia. A forma delicada como voc\u00ea desfia o p\u00e3o na chapa que comemos vez ou outra naquele posto na estrada. A musicalidade dos seus dedos enquanto eles se entrela\u00e7am nos seus cabelos enquanto voc\u00ea diz que precisa trocar de xamp\u00fa. A eletricidade que percorre minha pele quando sua m\u00e3o me toca quando estamos passeando de carro. Todos momentos banais para olhos que buscam a concretude da realidade. Gestos po\u00e9ticos para quem ajusta os olhos para o que realmente interessa&#8230;<\/p>\n<p>E sua beleza me encanta. Me encanta ler-te todas as vezes que estamos juntos. Me encanta cada singelo momento em que posso contemplar os detalhes da sua pele, cada pinta, cada curva. Me encanto com seu sorriso, e com o som da sua risada, normalmente rindo de mim e das minhas piadas toscas ou das minhas hist\u00f3rias. Me encanto com o sil\u00eancio do seu olhar. Olhar que consegue dizer em um segundo o que eu n\u00e3o consigo expressar direito em cem mil palavras. Seu rosto me encanta, a cicatriz sobre o nariz que, por motivos distintos, temos igual. O contorno dos teus l\u00e1bios. Me encanto com o som da sua voz perguntando &#8220;tudo bem com voc\u00ea?&#8221; sempre que voc\u00ea entra no carro.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 poesia. E ler-te \u00e9 meu momento preferido. Escrever \u00e9 minha forma de te fazer saber sobre todas as emo\u00e7\u00f5es que pulsam aqui dentro&#8230; as vezes voc\u00ea me diz que n\u00e3o sabe o que dizer, como responder \u00e0s coisas que escrevo, e eu te digo, &#8220;seu sorriso \u00e9 a melhor resposta&#8221;. Este \u00e9 um texto para voc\u00ea, para te fazer sorrir \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 minha poesia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>And as you pulled to me whispered in my ear &#8220;don&#8217;t ever let it end&#8221; (Nickelback) N\u00e3o \u00e9 estranho ler isso aqui? Porque para mim ser\u00e1 estranho escrever algo para voc\u00ea sabendo que, virtualmente, o mundo inteiro poder\u00e1 ler. 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