{"id":58,"date":"2015-03-26T06:12:46","date_gmt":"2015-03-26T09:12:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/?p=58"},"modified":"2015-03-26T06:12:46","modified_gmt":"2015-03-26T09:12:46","slug":"comodos-reconditos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/2015\/03\/26\/comodos-reconditos\/","title":{"rendered":"C\u00f4modos rec\u00f4nditos&#8230;"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>There&#8217;s a place I like to hide<br \/>\nA doorway that I run through in the night<br \/>\nRelax child, you were there<br \/>\nBut only didn&#8217;t realize it and you were scared<br \/>\n(Silent Lucidity, Queensr\u00ffche)<\/p><\/blockquote>\n<p>Qual \u00e9 o seu ref\u00fagio? Onde voc\u00ea se esconde naqueles momentos em que a alma aperta o peito, na \u00e2nsia de escapar para outro lugar? Lugares que o corpo n\u00e3o acompanha, lugares onde s\u00f3 cabemos, talvez, n\u00f3s mesmos. Qual \u00e9 o seu c\u00f4modo rec\u00f4ndito?<\/p>\n<p>Medo de barata todo mundo tem. Se n\u00e3o \u00e9 medo, \u00e9 nojo. Tanto faz, ainda assim, uma barata dando um v\u00f4o rasante em qualquer c\u00f4modo \u00e9 garantia de gritos, urros ou sussurros&#8230; Do que voc\u00ea tem medo?<\/p>\n<p>Medo, ang\u00fastia, aperto no peito, sufoco, vontade de sumir&#8230; eu j\u00e1 tive, voc\u00ea tamb\u00e9m. Hobbes dizia que temos medo da morte, sobretudo da morte violenta, por isso nos achegamos uns aos outros e, ainda, deixamos que um diga aos outros como fazer para viver sem medo. O medo nos aproxima. Basta a barata passar perto daquela garota que nunca lhe deu um oi para ela grudar no seu bra\u00e7o e demandar o seu ato her\u00f3ico de defend\u00ea-la do bestial inseto. Sabe-se l\u00e1 quantos relacionamentos n\u00e3o come\u00e7aram com um &#8220;Ai, barataaaa!&#8221;, ou quantos n\u00e3o naufragaram porque um n\u00e3o decidiu pelos outros e p\u00f4s-se a matar a dona baratinha. Sabe-se l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Medos, ang\u00fastias, apertos no peito, sufocos, vontades de sumir&#8230; tenho-os sempre. Quase sempre. Vez ou outra. Nunca. Admitir nossos medos &#038; cia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil como admitir nosso medo ancestral das baratas. Creio que em algum momento da inf\u00e2ncia do <em>homo sapiens<\/em>, uma barata pr\u00e9-hist\u00f3rica, que deveria ter seus 1,20m de comprimento, traumatizou o DNA primata do <em>homo sapiens<\/em> e n\u00e3o h\u00e1 sapi\u00eancia que nos desligue do temor \u00e0s asquerosas baratas. Admitir nossos medos \u00e9 voltar aos prim\u00f3rdios de n\u00f3s mesmos. \u00c9 investigar nossa alma rec\u00f4ndita.<\/p>\n<p>Fugir dos medos \u00e9 c\u00f4modo. Encontrar um c\u00f4modo para enfrent\u00e1-los \u00e9 doloroso. E na falta de um c\u00f4modo, o mais c\u00f4modo \u00e9 acomodar os medos naqueles cantos do cotidiano, cantos que v\u00e3o se enchendo de ang\u00fastias e sufocos, apertando tanto os espa\u00e7os que chega uma hora que voc\u00ea sente aquela vontade de largar tudo l\u00e1 e sumir&#8230; de prefer\u00eancia para um lugar seguro, sem medos, sem baratas.<\/p>\n<p>Meu c\u00f4modo \u00e9 mental. Fecho os olhos, desligo os sentidos, busco mergulhar nas mem\u00f3rias. Busco um lugar que est\u00e1 sempre em mim, escondido, protegido. Um jardim secreto. Nunca des\u00e7o l\u00e1 s\u00f3. Sempre levo algu\u00e9m comigo. Algu\u00e9m que j\u00e1 se foi. Algu\u00e9m que est\u00e1 perto. Algu\u00e9m que possa dizer o que deve ser feito. Algu\u00e9m de possa dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada a ser feito. (Sim, \u00e9 voc\u00ea quem eu quase sempre levo, voc\u00ea sabe disso. \ud83d\ude09 Quando n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, \u00e9 aquele velho catal\u00e3o, meu av\u00f4.)<\/p>\n<blockquote><p>She&#8217;ll lead you down a path<br \/>\nThere&#8217;ll be tenderness in the air<br \/>\nShe&#8217;ll let you come just far enough<br \/>\nSo you know she&#8217;s really there<br \/>\nShe&#8217;ll look at you and smile<br \/>\nAnd her eyes will say<br \/>\nShe&#8217;s got a secret garden<br \/>\nWhere everything you want<br \/>\nWhere everything you need<br \/>\nWill always stay<br \/>\n(Secret Garden, Bruce Springsteen)<\/p><\/blockquote>\n<p>S\u00e3o nos nossos recantos secretos, nos ref\u00fagios da mente, naqueles momentos em que nos desligamos da realidade, nessas fugas que podemos encontrar o inseticida para os medos, essas baratas que rondam as quinas de nossos c\u00f4modos, que se esgueiram atr\u00e1s da c\u00f4moda, nas c\u00f4modas esquinas onde nos embriagamos de vida ou onde perdemos a via.<\/p>\n<p>Retornamos para a realidade, para o cotidiano, para o quarto, onde for, mais seguros. Sabemos que em algum canto qualquer, um medo, uma barata ou uma ang\u00fastia qualquer nos ronda. Sempre haver\u00e1. <em>C&#8217;est la vie<\/em>. Sempre teremos nossos ref\u00fagios, sejam eles como forem, onde forem, c\u00f4modos na mente, jardins secretos, o ombro da sua amada, o afago de um querido, a solid\u00e3o de um p\u00f4r-do-sol&#8230; rec\u00f4nditos \u00e0 todos, plenos de sentidos para mim. <\/p>\n<blockquote><p>Now that I&#8217;ve taken you<br \/>\nTo a place far from here<br \/>\nI really must go back<br \/>\nClose your eyes and we&#8217;ll disappear<br \/>\n(Return to Serenity, Testament)<\/p><\/blockquote>\n<p>At\u00e9 a pr\u00f3xima \ud83d\ude09<\/p>\n<p>Edgar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>There&#8217;s a place I like to hide A doorway that I run through in the night Relax child, you were there But only didn&#8217;t realize it and you were scared (Silent Lucidity, Queensr\u00ffche) Qual \u00e9 o seu ref\u00fagio? 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