{"id":92,"date":"2015-05-15T20:05:09","date_gmt":"2015-05-15T23:05:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/?p=92"},"modified":"2015-05-15T20:06:21","modified_gmt":"2015-05-15T23:06:21","slug":"clique","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/2015\/05\/15\/clique\/","title":{"rendered":"Clique"},"content":{"rendered":"<p>Deixou cair sobre a cama mais que o pr\u00f3prio peso. Olhou para o teto por alguns segundos, pensando em quem teria escolhido aquela maldita lumin\u00e1ria. Fechou os olhos, fechou-se ao mundo. Mergulhou nas entranhas do seu pr\u00f3prio pensamento, buscando no cotidiano dos documentos, das assinaturas, dos toques de telefone, do cheiro de caf\u00e9, alguma justificativa para aquele peso extra que fazia ranger, a cada meneio, as molas do velho colch\u00e3o. Tentou ficar im\u00f3vel. Buscou o sil\u00eancio. Buscou o sentido daquele zumbido que lhe atormentava os ouvidos, um zumbido que s\u00f3 se fazia ouvir no interior de sua ang\u00fastia. Maldita lumin\u00e1ria, pensou novamente. Os dedos dos p\u00e9s latejavam dentro do sapato. Sentia um misto de formigamento, calor e dor que brotava-lhe dos p\u00e9s e fazia sentir-se por toda a musculatura at\u00e9 alcan\u00e7ar o fundo dos olhos&#8230; deixou os p\u00e9s escorregarem para fora dos sapatos, afrouxou a gravata, buscou o interruptor sem sucesso. Corpo e mente, dormentes, desligaram-se. Apenas a lumin\u00e1ria permaneceu acesa, a \u00fanica testemunha de uma morte lenta e cadenciada. Morria em doses homeop\u00e1ticas. Morria um pouco a cada noite. A luz que se projetava feria-lhe a vista. Aos poucos seus nervos \u00f3ticos se ajustaram \u00e0 luminosidade do novo dia, da velha lumin\u00e1ria. Apertou o n\u00f3 da gravata enquanto se preparava mais um dia. Preparava-se para morrer mais um pouco da sua morte. Lenta. Cadenciada. Ao sair, ainda com a m\u00e3o sobre o interruptor, pensou, maldita lumin\u00e1ria. *clique*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deixou cair sobre a cama mais que o pr\u00f3prio peso. Olhou para o teto por alguns segundos, pensando em quem teria escolhido aquela maldita lumin\u00e1ria. Fechou os olhos, fechou-se ao mundo. Mergulhou nas entranhas do seu pr\u00f3prio pensamento, buscando no cotidiano dos documentos, das assinaturas, dos toques de telefone, do cheiro de caf\u00e9, alguma justificativa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-92","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-escrivinhacoes"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92\/revisions\/95"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}