{"id":101,"date":"2015-06-19T10:10:39","date_gmt":"2015-06-19T13:10:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/?p=101"},"modified":"2015-06-19T10:12:46","modified_gmt":"2015-06-19T13:12:46","slug":"vale-tudo-mas-hoje-nao-nao-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.edgar.pro.br\/blog\/2015\/06\/19\/vale-tudo-mas-hoje-nao-nao-na-escola\/","title":{"rendered":"Vale tudo, mas hoje n\u00e3o. N\u00e3o na escola&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Paul Feyerabend foi um fil\u00f3sofo austr\u00edaco que se dedicou, em grande parte, \u00e0 filosofia da ci\u00eancia. Minha saudosa professora do mestrado, Maria L\u00facia, me recomendou a leitura de sua biografia, coisa que eu, relapso, ainda n\u00e3o fiz. Maria L\u00facia nos deixou, foi semear campos com seus heleantos em outras dimens\u00f5es, e eu sinto que mesmo que eu venha a ler a biografia de Feyerabend, e eu vou, ela n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo brilho que teria se eu pudesse discut\u00ed-la com minha professora. Mas n\u00e3o era sobre isso que eu ia falar.<\/p>\n<p>Paul Feyerabend disse: ANYTHING GOES! Que na tradu\u00e7\u00e3o mais comumente utilizada significa: vale tudo. Ele falava do m\u00e9todo cient\u00edfico. M\u00e9todo, o <em>meta \u00f3dos<\/em>, o caminho atrav\u00e9s do qual, em grego. M\u00e9todo \u00e9 o caminho que seguimos para realizar algo. Descartes, igualmente fil\u00f3sofo, por\u00e9m franc\u00eas e 328 anos mais velho que Feyerabend, tamb\u00e9m dedicou parte de seu trabalho filos\u00f3fico \u00e0 ci\u00eancia. Descarte escreveu uma obra chamada O Discurso do M\u00e9todo, no qual descreve como se deve bem conduzir a raz\u00e3o na busca da verdade. Feyerabend, sem delongas, manda o m\u00e9todo \u00e0s quicas. N\u00e3o, sejamos justos, ele n\u00e3o manda &#8220;o&#8221; m\u00e9todo para as pontes que partem, mas a necessidade r\u00edgida de &#8220;um&#8221; m\u00e9todo. Em suma, tudo vale. Crie o seu m\u00e9todo, descarte Descartes e fa\u00e7a do seu jeito. Do it yourself. DIY. Mas n\u00e3o \u00e9 sobre isso que eu quero falar.<\/p>\n<p>Causa-me uma certa ang\u00fastia quando eu ou\u00e7o, em alto e bom som, na sala dos professores, uma criatura dizer que reprovou um trabalho por causa de um desvio de 0,5cm de erro no tamanho da margem da pagina\u00e7\u00e3o do mesmo. Uma afronta \u00e0 ABNT e suas sacrossantas normas. S\u00e3o nesses momentos em que a forma toma o lugar do conte\u00fado que eu respiro fundo, me levanto, procuro uma sala vazia e descarto-me. Fico pensando no aluno que foi colocado \u00e0 margem por causa da margem. Eu entendo a necessidade de formalidades, elas s\u00e3o necess\u00e1rias. Ser\u00e1 que Descartes seguiu as normas da ABNT de sua \u00e9poca? N\u00e3o sei. Creio que n\u00e3o. Reza a lenda que Descartes escrevia em latim quando queria agradar o clero, a ABNT da \u00e9poca. Mas quando queria ser mais livre, escrevia em franc\u00eas. Por isso temos um plano cartesiano raramente reconhecido como obra de Descartes. Descartes em franc\u00eas, Cartesius em latim. Chega de Descartes.<\/p>\n<p>Paul Feyerabend. Levei uns bons anos para aprender a escrever seu nome direito. Curiosamente, assimilei a grafia de Nietzsche mais facilmente que Feyerabend. Certamente pronuncio errado. <em>Anything goes<\/em>! Pronuncio do jeito que eu quiser. Vale tudo. Deveria valer. Produzir conhecimento deveria ser um ato criativo, n\u00e3o normativo. A universidade, assim como a escola em todos os seus n\u00edveis, disciplinam a criatividade. De Paulo Freie a Ken Robinson, muita gente fala sobre isso. Estimular a criatividade. E, convenhamos, deixar as regras de lado, muitas vezes, \u00e9 o elemento criativo. <\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Insanidade \u00e9 continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Einstein \u00e9 o autor da frase acima. \u00c9 o que dizem. Se n\u00e3o for, dane-se. Ela vale por si s\u00f3, n\u00e3o precisa do aval de Einstein. \u00c9 \u00f3bvia. E, apesar da obviedade, ela \u00e9 obliterada nas pr\u00e1ticas docentes Brasil afora&#8230; descartada, segue-se fazendo-se do mesmo jeito, segundo o manual, dentro da caixa&#8230; deixando \u00e0 margem os que n\u00e3o ABNTizam a margem. Marginais&#8230; <\/p>\n<p>Desculpe, Paul. :\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paul Feyerabend foi um fil\u00f3sofo austr\u00edaco que se dedicou, em grande parte, \u00e0 filosofia da ci\u00eancia. 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