Apenas mais um texto escrito na madrugada…

by Edgar . 0 Comments

A gente encontra insights nos momentos mais inesperados. Às vezes, de pessoas inesperadas. Curioso.

Fechei uma janela e abri outra. Ou seriam abas do navegador? Pouco importa. Enquanto o cão que late todas as madrugadas segue fiel a sua tarefa, eu olho pela janela do apartamento e vejo as luzes que iluminam a deserta avenida. A janela do apartamento, a janela do computador. Janelas… através das janelas podemos ver e apenas ver. A luz âmbar envolve-se no sereno da madrugada, cria um efeito leitoso, um facho se abre. Não posso tocá-la, para isso seria preciso estar lá e não aqui.

Janelas! Escrever é um ato solitário. Mas é, ao mesmo tempo, uma conexão. Raramente escrevo pensando em quem vai ler o que eu escrevo, embora eu saiba que, eventualmente, alguém lerá. O que eu quero dizer é que raramente escrevo pensando em um leitor. Raramente…

Janelas… um carro passa pela avenida. Teria seu motorista reparado que há uma janela acesa (ao menos uma, a minha, supondo que as demais estejam, como manda o ritmo da noite, apagadas… divagações). A vida acontece em tantas instâncias, o aparente deserto da avenida é só um momento. Fugaz momento, daqui algumas horas estará cheia de pessoas indo e vindo… pessoas indo e vindo.

Certa vez, numa palestra sobre Epicuro, ouvi a frase “depois de uma certa idade, acumular amigos é melhor que acumular dinheiro”. Eu não me recordo o contexto em que foi dita, mas era a defesa de um argumento, pouco importa. Na época concordei. Hoje, tenho minhas ressalvas. Acumular não me parece o termo certo. Amigos vêm e vão, são como as pessoas na avenida, indo e vindo… E há momentos desertos também.

Cultivar. Cuidar. Querer… verbos. Acho que o cão cansou, ou o seu latido já não me incomoda mais. Perdeu-se ao fundo. O céu lá fora começa a ganhar novas cores. Logo amanhece. Logo eu fecho as cortinas e adormeço no sofá. Ou a bateria do computador acaba, das duas uma… não sei se conseguirei terminar este texto. Não sei que fim ele poderia ter.

Talvez deixe-o em aberto…

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