fragmentos…

by Edgar . 0 Comments

Naquele momento um nó se fez em sua voz. Um nó amargo. Não que não houvesse palavras a dizer. Havia. Mas a dor de tais palavras, amargas e presas na garganta haviam de ser açoites de pura chama para aqueles olhos brilhantes que esperavam uma resposta. A crueza da vida. A crueldade da verdade. Não. Simplesmente, não. Uma única palavra seria suficiente para destruir todos os sonhos, todas as juras. Um não capaz de romper a perfeição circular e estilhaçar o mais duro diamante. Não, não seria para sempre, pois o sempre é uma ilusão. Nada é para sempre. E, ainda que a poesia queira que o eterno dure o que for justo durar, não é. Todo esse rodopio de uma fração de segundos que lhe transbordava a mente silenciou-se quando ela repetiu a interrogação:

– Para sempre?
– Sim!

E o fel todo desceu-lhe ao estômago, o caldeirão da mentira, queimando-lhe por dentro e fazendo brotar uma lágrima de puro sal.

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